Por: Carlos
Sabemos que o Universo na sua manifestação vital, nada mais é do que a representação concreta de certos princípios que pertencem a um domínio tão elevado, que nós, para nos referirmos a eles, costumamos falar apenas, na consciência divina. É nesta consciência total que se encontram todos os germes destas possibilidades que depois se transformam nas coisas viventes, com nome e forma, do universo que nos cerca e envolve. Posto isto, sabemos ainda que esses germes, estas possibilidades, manifestam-se por meio do Som. Esta consciência divina, esta consciência total, que o mais comum dos humanos seres a chama de Deus, expressa o seu poder criador por meio de vibrações sonoras.
Todas as tradições mencionam os sons sagrados, os sons que construíram algo, algo que vem de cima para baixo e vai-se formando nos diversos planos da natureza, dos mais sutis aos mais grosseiros.
A Sabedoria Iniciática das Idades, possui o OM, o som sagrado.
O insigne Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose, disse a respeito da palavra sagrada OM, o seguinte:
“… para não nos estendermos muito sobre um assunto que nos levaria muito longe, o que de maneira alguma corresponderia nossa intenção presente, lembraremos apenas que segundo a tradição hindu, os universos são produzidos pelo OM, a palavra sagrada formada de três letras sânscritas: ah, oh e ma ou aum, e que, segundo o Mundakya Upanishad, é o nome mais precioso do Espírito Eterno, Onipresente e Universal.”
De modo que tudo que existe no universo advém das vibrações sonoras produzidas por este som sagrado. Então todos nós perguntaremos, “Se tudo vem do som sagrado OM ao pronunciá-lo, estaríamos criando coisas? ”É aqui que surge diante de todos nós uma das chaves principais do Processo Iniciático: a ciência dos sons. Para entendê-la, cada um de nós terá de dominá-la por meio de um árduo trabalho interno de iniciação, onde adquiriremos o poder de pronunciar corretamente o som, de tal forma que ele possa criar algo.
Para chegar ao resultado final no mundo da forma, a Consciência Divina potencializa-se em 7 tons fundamentais: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Estes 7 tons fundamentais, se diversificam de tal forma, que o resultado final é a natureza que nos cerca. Para melhor compreendermos o mecanismo em que o verbo, o som se faz carne, vamos tocar num ponto importantíssimo. Este ponto importantíssimo nos fala a respeito de Mantrans. De todos os caminhos evolucionais, o caminho dos que usam o poder dos Mantrans é inegavelmente superior a todos os outros. Os Mantrans quando corretamente pronunciados, se tornam um meio poderoso de despertar todas as possibilidades ocultas relativas a todos os planos do universo, que encobrem o nosso princípio espiritual, o poder dos Mantrans é capaz de fazer vibrar e pôr em atividade as matérias de diferentes planos existentes no universo, produzindo fenômenos de várias ordens. De modo que um Mantram não deve ser tocado ou cantado unicamente. Um Mantram precisa ser acompanhado também por um pensamento, de acordo com a combinação de sons produzida. Um Mantram precisa ser vivido.
Portanto, o universo foi concebido pelo som, que sintetizando a Matéria e a Energia Cósmica, onipenetradas por Atmã (centelha divina onipresente em tudo e em todos) produziu o mundo da forma, dos nomes e dos seres viventes.
Sabemos ainda que aquilo que conhecemos como Matéria ou Akasha se caracteriza por ser capaz de produzir som. Daí ser também o Akasha chamado de “Raiz psíquica do som”. Akasha, é portanto, a matéria que constitui todos os planos da manifestação.
Quando um ser se materializa, nasce no mundo, ele se torna um personagem de seu próprio drama na face da terra. Isto quer dizer que, sendo um personagem, manifesta-se por meio do som.
A constituição setenária da Consciência Divina, centro de irradiação de Consciências e Energias, é a chave para a compreensão das doutrinas místicas de todos os povos. Essa constituição setenária nada mais é que as Sete Forças Auto-Evolventes da Força Única e Sem Causa. Cada uma dessas Sete Forças, Sete Energias, é a expressão dinâmica de determinada Consciência Cósmica. Vamos verificar de perto a quarta energia, analisá-la e compreender-lhe a influência específica no metabolismo da evolução universal, dentro da Tradição Sagrada do Som.
Tem essa quarta energia, o nome de Mantrikashakti. É ela a força mística do som ou verbo, expressa a harmonia cósmica e, portanto, em sentido lato, inclui tudo que diz respeito ao aspecto beleza ou arte. O caminho ligado a Linha das Artes, representa, possivelmente, para o homem deste planeta, o caminho mais simples para a libertação. É importante assinalar que mais de um grande iluminado, membros da excelsa Fraternidade Branca, alcançaram as culminâncias da espiritualidade pelo caminho das artes. Citaremos apenas três desses membros no Ocidente, no aspecto musical: Beethoven, Wagner, Bach.
Portanto como todos nós verificamos, o verbo, o som, considerados por todas as tradições antigas, como a causa eficiente e material da manifestação do mundo é a suprema forma pela qual se objetiva o Ser Infinito. Esse verbo se manifesta como Ritmo, Melodia e Harmonia. Para cada manifestação do verbo, existe uma ciência. Apoiando-nos nas ciências do Ritmo e da Melodia, penetramos nos mundos da Harmonia que abre para todos nós as portas do entendimento espiritual. É lícito dizer que essas três manifestações da força ou poder místico dos sons se relacionam com os três centros de atividade em nosso interior, o Físico, o Anímico e o Espiritual. O Ritmo está ligado s formas físicas, a Melodia alma e a Harmonia ao espírito. O som, o verbo, ou a música perfeita será, portanto, a que equilibrar esses três elementos da suprema manifestação do verbo.
Os iniciados utilizando a ciência dos sons, profunda e oculta por excelência, são capazes de realizações, já que esse conhecimento lhes permite equilibrar os três princípios fundamentais do verbo em ação, segundo os fins
Acentuemos que os Mantrans se baseiam no perfeito entendimento dessa ciência, que, pertence há milênios s Escolas Iniciáticas e Secretas.
Nas primeiras etapas da evolução humana nas Raças primitivas, o Ritmo era considerado o princípio básico de toda a adoração religiosa ou sacrificial. Daí a criação dos bailados que visavam perpetuar o conhecimento de certas leis ocultas, relacionadas com as invocações s Potestades ou Deuses da natureza. Assim, por exemplo, na Índia, os Gandharvas, que eram cantores ou músicos celestes, eram interpretados pelas Apsaras, bailadeiras que, por meio de posições ou atitudes do corpo, procuravam exteriorizar as regras da ciência do ritmo, permitindo assim, entoar os hinos no seu verdadeiro ritmo. Mais tarde, dança exclusivamente rítmica se acrescentou uma expressão de doçura, graças a certos gestos, especialmente das mãos, que ensinavam a melodia dos cânticos evocadores das Potestades adoradas. Só em épocas mais próximas, quase históricas, apareceram danças sagradas completas, em que os passos e gestos criavam uma Harmonia maravilhosa, característica do mais profundo processo oculto e iniciático.
Sabemos que a arte dos cânticos e a poética, fundidas numa só, são consideradas a manifestação mais perfeita do Verbo Criador. O antigo vate, o inspirado cantor da história dos Deuses e das epopéias dos heróis, descrevia, em poemas rítmicos e melódicos, as façanhas que pretendiam exaltar e perpetuar. Em verdade, os poetas de antanho aprendiam, nos santuários iniciáticos, a arte suprema de vazar, em linguagem humana, os feitos gloriosos dos Seres que tinham criado o Universo, ou dos que guiavam e protegiam os homens. Entre os Celtas, o bardo, cantor iniciado, era o arquivo vivo dos fatos de sua raça. Entre os povos de descendência solar, os Suryavanxas, que ainda habitam os vales férteis do Pundjab, na Índia, conservam, até hoje, na corte de seus Takures (príncipes reinantes, senhores feudais), poetas e místicos maneira de seus avoengos, tradição preciosa que defenderam encarniçadamente contra o poder dos invasores brancos. São eles, os Suryavanxas, que tem por lema o famoso dístico: “A luz pura do Sol pode ser maculada pela lama da Terra.”
A insigne Helena Petrovna Blavatsky em sua celebrada obra “Por Grutas e Selvas do Indostão” fez referência a essa gente, que, pelo conhecimento da música e dos Mantrans, e pelo amor a Poética, conseguiu perpetuar, através das vicissitudes de uma história atribulada, uma ciência não inscrita nos livros, e transmissível, apenas, pela voz de seus poetas-cantores. Para todos os povos antigos, o poeta era o eleito e o inspirado dos Deuses. O próprio nome latino, Vate, indica as qualidades proféticas desses cantores, que chegavam, s vezes, a penetrar em arcanos transcendentes, inacessíveis ciência comum dos homens. É interessante lembrar, a respeito, a história de Ovídio, que o Colégio Sacerdotal de Roma exilou para o Ponto Euxino, em virtude de ter divulgado, ao impulso da inspiração, segredos iniciáticos que, aliás, desconhecia. E somente esta última circunstância salvou-o da morte. O caso serve para provar que o poeta pode, pela arte sublime da palavra, despertar em sua consciência interior, conhecimentos de ordem secreta e mística, o que explica a palavra Vate (adivinho). Em tempos mais chegados, temos outro exemplo, bastante típico, o de Sir Edwin Arnold, o cantor da “Luz de Ásia”. Arrebatado pela inspiração, a história do Grande Emancipado, de Buda, é aí narrada com tal profundidade, que segredos conhecidos, apenas dos Iluminados, são postos a nu. E Arnold não era ocultista. Compreende-se agora, a prudência de Platão, que na sua “República”, aconselha coroar os poetas e, depois, expulsá-los. A poética constitui, portanto, a mais pura manifestação da Palavra Divina, sobretudo transmitida em canto.
É bem possível que os iniciados gregos tenham obtido seu conhecimento a respeito dos aspectos filosófico e terapêutico da música, dos egípcios, os quais, por sua vez, consideravam Hermés o fundador da arte. Segundo a lenda, este deus construiu a primeira lira esticando cordas através da concavidade de uma casca de tartaruga. Ambos, Ísis e Osíris, eram como patronos da música e da poesia. Platão, descrevendo a antigüidade dessas artes entre os egípcios, declarou que as canções e poesias tinham existido no Egito, pelo menos, por dez mil anos e que eram de uma natureza tão elevada e inspiradora que apenas deuses ou homens-deuses poderiam tê-las composto. Nos mistérios, a lira era tida como o símbolo secreto da constituição humana, o corpo do instrumento representando a forma física, as cordas, os nervos, e o músico, o espírito. Tocando sobre os nervos, o espírito assim criava as harmonias de um funcionamento normal o qual, todavia, se tornava dissonante se a natureza do homem estivesse corrompida.
A ordem medieval dos Troubadours ou Trovadores teve, como os vates e os bardos, o papel de espalhar, por meio de seus cantos amorosos e satíricos, muitas verdades iniciáticas, segundo as ordens recebidas dos grandes Adeptos que os dirigiam. Eram, por assim dizer, os correios entre os iniciados de todo o mundo e as Ordens Secretas.
Finalizando esta primeira parte de “Música no Processo Evolucional”, em que abordamos a “Tradição Sagrada do Som”, diremos que mister se faz que tenhamos uma perene consciência de que no universo tudo é som, tudo é verbo que se fez carne, e que andamos sobre a face da terra em busca da harmonia, tanto conosco, internamente, quanto com nossos Irmãos
Carlos
Fonte: http://www.vidhya-virtual.com/vidhya1/inicio.htm
http://www.cosmomusica.com.br
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